Os 100 melhores filmes de terror do século XXI

Fazer uma lista com os 100 melhores filmes de terror deste século não é só sobre sustos — é sobre a forma como o medo foi reinventado nas últimas décadas. Do psicológico ao visceral, do gore estilizado ao silêncio aterrorizante, essa seleção reflete o que de mais marcante, inovador e incômodo o gênero ofereceu até agora. Cada filme aqui foi escolhido não apenas pela sua qualidade técnica ou popularidade, mas pelo impacto que causou, pela forma como subverteu clichês ou nos fez sair do cinema com o coração acelerado e a mente inquieta. É uma homenagem ao cinema que não tem medo de provocar.

Por Marc, criador da @indiqueipraver

A seguir, você confere um breve motivo para a presença de cada um desses títulos na lista:

100. Garota Infernal, de Karyn Kusama
Muito além de um simples terror adolescente, “Garota Infernal” foi mal compreendido em seu lançamento, mas se consolidou como um cult feminista ao longo dos anos. Com roteiro de Diablo Cody, o filme brinca com a inversão de arquétipos, ao colocar Megan Fox no papel de uma “cheerleader” demoníaca que devora garotos. A direção afiada de Kusama, aliada à estética pop e ao subtexto sobre rivalidade e repressão feminina, o tornam muito mais do que um slasher teen: é um comentário ácido sobre objetificação, amizade e vingança.

99. Somos o Que Somos, de Jim Mickle
Uma das obras mais subestimadas da última década, “Somos o Que Somos” é um exemplo poderoso de como o terror pode ser silencioso, elegante e brutal ao mesmo tempo. O diretor Jim Mickle constrói o horror não nas cenas explícitas, mas no peso do silêncio, nos olhares contidos e na impotência das filhas diante da tradição imposta por seu pai. A fotografia fria, a trilha fúnebre e o ritmo contemplativo colocam o espectador em uma constante tensão moral. Em um século em que o terror tem se aprofundado cada vez mais nos traumas familiares e nos sistemas de poder, o longa se destaca como uma obra simbólica sobre obediência, fé cega e ruptura. Um dos terrores mais elegantes e incômodos dos anos 2010 — e absolutamente digno de estar nesta lista.

98. Temos Vagas, de Nimród Antal
Aqui, o terror mora na ideia de que o perigo está muito mais perto do que imaginamos. Um casal em crise para em um motel de beira de estrada e descobre que está sendo filmado por câmeras escondidas — para um snuff movie. A simplicidade da trama é sua maior força: o roteiro direto, a ambientação opressora e a tensão crescente fazem com que “Temos Vagas” seja um dos thrillers mais sufocantes dos anos 2000. É o tipo de terror que torna o ordinário aterrorizante.

97. Na Companhia do Medo, de Mathieu Kassovitz
“Na Companhia do Medo” é daqueles filmes que te fazem questionar o que é real até os últimos minutos. Com Halle Berry no papel de uma psiquiatra que acorda internada no próprio hospital psiquiátrico, acusada de um assassinato que não lembra ter cometido, o filme constrói um terror psicológico envolvente. A direção de Kassovitz aposta em uma atmosfera turva, espelhando o estado mental da protagonista, enquanto mistura traumas, possessões e críticas à maneira como mulheres são desacreditadas.

96. O Mal que Nos Habita, de Demián Rugna
Um dos terrores mais brutais e inventivos da nova safra argentina, “O Mal que Nos Habita” subverte as convenções do exorcismo ao apresentar uma praga demoníaca que se espalha como uma infecção. Rugna cria um universo próprio, com regras e rituais que tornam tudo ainda mais desesperador. Não há espaço para respiro: a violência é repentina, a podridão é física, e a sensação de caos iminente domina cada cena. Um filme que testa os limites do espectador e do próprio gênero.

95. Entrevista com o Demônio, de Colin e Cameron Cairnes
Num cenário claustrofóbico e ao mesmo tempo teatral, esse filme australiano transforma uma simples entrevista de TV ao vivo em uma noite de puro horror. Ao longo de sua curta duração, os diretores brincam com o tempo real, aumentando a tensão minuto a minuto, enquanto exploram temas como sensacionalismo, ego e manipulação. Uma obra esperta, desconfortável e surpreendentemente afiada — e com um final que faz valer cada minuto.

94. A Morte Te Dá Parabéns, de Christopher Landon
Terror e comédia podem andar juntos, e esse filme prova isso com folga. A trama da universitária que revive o dia de sua morte em looping é divertida, sangrenta e inesperadamente comovente. Com uma protagonista carismática e um roteiro que equilibra bem o slasher com viagem temporal, “A Morte Te Dá Parabéns” entrega uma experiência leve, mas com alma. Um exemplo moderno de como brincar com fórmulas sem perder o respeito pelo gênero

93. O Albergue, de Eli Roth
Talvez um dos filmes mais divisivos da década de 2000, “O Albergue” não tem medo de ser repulsivo — e é exatamente por isso que está na lista. Em meio ao turismo sexual e à estética decadente da Europa Oriental, o filme apresenta um mundo onde corpos são mercadoria e dor é entretenimento. Roth não alivia, e sua abordagem explícita do sadismo chocou plateias. Mas sob a superfície, há uma crítica feroz à desumanização e ao voyeurismo da violência.

92. Wolf Creek – Viagem ao Inferno, de Greg McLean
Inspirado em crimes reais na Austrália, “Wolf Creek” é um terror brutal, seco e desconcertante. O vilão Mick Taylor, com seu falso charme e sadismo impiedoso, é um dos psicopatas mais assustadores do cinema moderno. O ritmo lento do início dá lugar a uma violência abrupta e realista, com uma direção quase documental. A natureza inóspita do deserto australiano se torna parte do horror, onde a vastidão é tão ameaçadora quanto o assassino.

91. Os Estranhos, de Bryan Bertino
Nada é mais apavorante do que a aleatoriedade do mal — e esse é o grande trunfo de “Os Estranhos“. Um casal isolado em casa é atacado por três figuras mascaradas que parecem não ter motivo algum. “Porque vocês estavam em casa”, responde uma delas. Com pouquíssimos diálogos e uma tensão crescente, o filme constrói um clima de puro desespero. A trilha sonora e o design de som contribuem para criar um ambiente sufocante, onde o silêncio é tão ameaçador quanto os invasores

90. “O Chamado”, de Gore Verbinski
Essa adaptação americana do clássico japonês Ringu foi uma das grandes responsáveis por renovar o interesse pelo terror sobrenatural nos anos 2000. Com estética sombria e fotografia dessaturada, Verbinski entrega uma obra que mistura luto, tecnologia e maldições ancestrais. A figura de Samara, com seus movimentos antinaturais e cabelo cobrindo o rosto, virou um ícone instantâneo do gênero. “O Chamado” não apenas assusta, mas permanece no imaginário coletivo como um dos últimos terrores mainstream verdadeiramente perturbadores.

89. “Sob a Pele”, de Jonathan Glazer
Difícil chamar “Sob a Pele” de “filme de terror” nos moldes tradicionais, mas a sensação de estranheza, alienação e inquietude é tão profunda que o horror aqui é quase existencial. Scarlett Johansson interpreta uma criatura que vaga pelas ruas da Escócia atraindo homens para uma dimensão onde eles são consumidos. Com uma narrativa minimalista, trilha sonora hipnótica e imagens que beiram o abstrato, o filme desconstrói a ideia de predador e presa, explorando a solidão como algo aterrorizante. Um dos filmes mais hipnóticos — e perturbadores — do século.

88. “Halloween” (2018), de David Gordon Green
Mais que um reboot, “Halloween” de 2018 é uma reconexão com o clássico de John Carpenter. Ignorando todas as continuações, o filme parte da ideia de que Michael Myers e Laurie Strode são apenas predador e sobrevivente — e isso já basta. Jamie Lee Curtis retorna com força total, interpretando uma Laurie marcada pelo trauma, numa inversão de papéis onde a vítima agora está preparada para o embate. A direção de Gordon Green resgata a tensão do original com toques modernos, provando que o slasher ainda respira — e mata.

87. “A Morte do Demônio: A Ascensão”, de Lee Cronin
O universo de “Evil Dead” ganha um novo fôlego aqui, abandonando a cabana no bosque e nos jogando em um apartamento decadente. Cronin mantém a violência extrema e o humor macabro que tornaram a franquia famosa, mas acrescenta uma camada de desespero familiar, ao colocar uma mãe possuída como vilã. As cenas de gore são visualmente criativas e a direção sabe dosar bem tensão, impacto e nostalgia. Um revival digno, que respeita o legado sem deixar de ser ousado.

86. “Um Lugar Silencioso”, de John Krasinski
O grande trunfo de “Um Lugar Silencioso” está em sua proposta simples e absolutamente eficaz: sobreviver em silêncio total, sob o risco de atrair monstros mortais guiados pelo som. Krasinski entrega um terror com coração, onde o drama familiar é tão importante quanto o suspense. Emily Blunt brilha em uma atuação carregada de emoção e tensão. A ausência de diálogos dá espaço para uma construção de atmosfera impecável, em que cada ruído parece um grito. Um exemplo claro de que ainda há espaço para originalidade no terror comercial.

85. “Creep”, de Patrick Brice
Minimalista ao extremo, “Creep” é desconfortável do começo ao fim. A premissa é simples: um cinegrafista é contratado para filmar o dia de um homem excêntrico e começa a perceber que algo não está certo. Mark Duplass está absolutamente inquietante em cena, alternando entre o cômico e o ameaçador com maestria. O found footage aqui é usado de forma esperta e nunca apelativa, tornando o espectador um voyeur involuntário. O terror não vem de sustos fáceis, mas do desconforto crescente — e de um dos personagens mais perturbadores da década.

84. “Revenge”, de Coralie Fargeat
O que começa como um típico filme de vingança masculina rapidamente se transforma em um banho de sangue estilizado, feminista e provocador. “Revenge” é visualmente deslumbrante, com cores saturadas, enquadramentos simbólicos e uma protagonista que renasce das cinzas — quase literalmente. Fargeat transforma um gênero dominado por violência contra a mulher em um grito de sobrevivência e empoderamento, onde cada ferida sangra estilo, e cada plano exala fúria. Um filme que incomoda, mas também fascina.

83. “Suspiria” (2018), de Luca Guadagnino
Refilmagem ousada do clássico de Dario Argento, “Suspiria” de Guadagnino se afasta da estética giallo e abraça uma abordagem mais densa, política e atmosférica. A história de uma escola de dança comandada por bruxas serve de base para uma reflexão sobre poder, sacrifício e feminilidade. A trilha de Thom Yorke, os longos planos e a coreografia ritualística das cenas tornam o filme uma experiência hipnótica. É menos sobre sustos e mais sobre se render a uma sensação de mal-estar e desorientação. Divisivo? Sem dúvida. Memorável? Ainda mais.

82. “O Segredo da Cabana”, de Drew Goddard
Meta-horror por excelência, “O Segredo da Cabana” destrincha os clichês do terror com ironia, inteligência e muito sangue. Começa como um típico slasher com jovens em uma cabana isolada, mas logo se revela algo muito mais ambicioso: uma crítica à previsibilidade do gênero e à necessidade quase ritualística de repetir fórmulas para agradar o público. Goddard e Joss Whedon brincam com arquétipos, monstros e reviravoltas de forma criativa, criando uma homenagem ao terror — ao mesmo tempo em que o destrói.

81. “Possessor”, de Brandon Cronenberg
Herança digna de seu pai David Cronenberg, Brandon entrega aqui um terror sci-fi visceral, onde a identidade é manipulada, corrompida e destruída. Acompanhamos uma agente que se infiltra na mente de outras pessoas para cometer assassinatos corporativos, mas a linha entre ela e o hospedeiro começa a se apagar. Violento, estilizado e frio, “Possessor” é uma experiência perturbadora sobre controle, dissociação e perda do eu. Um terror que sangra ideias tanto quanto corpos.

80. “A Mão do Diabo”, de Bill Paxton
Também conhecido como Frailty, “A Mão do Diabo” é um daqueles filmes que crescem depois que terminam. Com direção surpreendente de Bill Paxton, que também atua, a trama aborda fé, loucura e violência familiar sob a ótica de dois irmãos marcados pelo fanatismo do pai, que acredita estar caçando “demônios” a mando de Deus. É um terror psicológico com estrutura de thriller, que desmonta o espectador aos poucos, até chegar a um desfecho sombrio e perturbador. A tensão moral aqui é mais assustadora do que qualquer monstro.

79. “Alta Tensão”, de Alexandre Aja
Um dos expoentes do terror extremo francês, “Alta Tensão” é brutal, direto e sujo. Aja não perde tempo: logo nos primeiros minutos, somos jogados em um pesadelo de perseguição e mutilação em meio à zona rural. O filme tem um ritmo alucinante, trilha metálica e uma protagonista levada ao limite. Ainda que o plot twist final divida opiniões, a construção de tensão e o domínio da violência gráfica fazem dessa obra um marco do cinema de horror europeu nos anos 2000.

78. “Viagem Maldita”, de Alexandre Aja
Refilmagem do clássico de Wes Craven, “Viagem Maldita” é mais um exemplo da habilidade de Aja em criar tensão crua e violência realista. O filme acompanha uma família encurralada por mutantes canibais no deserto do Novo México, em um massacre de tirar o fôlego. A brutalidade explícita, somada à crítica social sobre testes nucleares e famílias disfuncionais, transforma o longa em um ataque sensorial e psicológico. Uma das melhores refilmagens de terror do século.

77. “O Massacre da Serra Elétrica” (2003), de Marcus Nispel
Mais do que uma simples refilmagem, “O Massacre da Serra Elétrica” de 2003 pegou o espírito do original e o repaginou para uma nova geração, com estética suja, câmera nervosa e muito, muito suor. A presença de Jessica Biel como final girl e o visual do novo Leatherface ajudaram a redefinir os remakes de terror nos anos 2000. O filme não poupa o espectador da sensação de sufocamento, e mesmo quem conhece a história se vê imerso na angústia daquela casa no meio do nada.

76. “À Prova de Morte”, de Quentin Tarantino
Uma ode ao cinema grindhouse, “À Prova de Morte” é o slasher-tarantinesco que talvez ninguém esperava — mas que só ele poderia fazer. Metade conversa afiada, metade perseguição insana, o filme apresenta um dos vilões mais inusitados do terror recente: Stuntman Mike, vivido por Kurt Russell, que usa seu carro como arma. A estrutura dividida e o estilo propositalmente desgastado podem não agradar a todos, mas o longa é puro deleite para fãs do terror setentista e das final girls vingativas.

75. “Planeta Terror”, de Robert Rodriguez
Companheiro inseparável de “À Prova de Morte” na proposta grindhouse, “Planeta Terror” é gore, ação, comédia e nojeira pura em estado bruto. Rodriguez entrega um filme divertido, absurdo e cheio de personagens icônicos — como a dançarina com uma metralhadora no lugar da perna. É uma explosão de exagero, vísceras e estilo, que não quer ser levado a sério, mas ainda assim constrói um universo próprio. Um lembrete de que o terror também pode ser pura farra sangrenta.

74. “IT: A Coisa”, de Andy Muschietti
Adaptação visualmente impressionante da obra de Stephen King, “IT: A Coisa” é mais do que um filme de palhaço assassino: é sobre amizade, trauma e a perda da inocência. Pennywise, vivido com brilhantismo por Bill Skarsgård, é arrepiante, mas o verdadeiro coração do filme está no “Clube dos Otários”. Muschietti equilibra bem os momentos de terror com o drama juvenil, entregando uma produção ambiciosa e acessível, que marcou uma geração de espectadores com medo de ralos e balões vermelhos.

73. “Medo”, de Kim Jee-woon
Um dos melhores exemplos do terror asiático moderno, “Medo” (ou A Tale of Two Sisters) é uma história de fantasmas que mistura melancolia, culpa e alucinação. Kim Jee-woon constrói uma narrativa labiríntica, onde o espectador nunca sabe o que é real e o que é trauma. O uso de elementos do folclore coreano com uma estética refinada torna o filme uma experiência fantasmagórica e emocionalmente devastadora. Um terror sutil e triste, que arrepia pela atmosfera e pelo desfecho.

72. “O Demônio de Neon”, de Nicolas Winding Refn
Visualmente deslumbrante e narrativamente perturbador, “O Demônio de Neon” é um terror sobre beleza, vaidade e canibalismo — literal e simbólico. Ambientado no mundo da moda, o filme acompanha a ascensão e ruína de uma jovem modelo, enquanto mergulha em imagens oníricas, trilha eletrônica e simbolismos mórbidos. Refn faz do terror uma linguagem estética, onde o desconforto vem mais da contemplação do que da ação. Amor ou ódio, é impossível ignorá-lo.

71. “Triângulo do Medo”, de Christopher Smith
Terror psicológico com roupagem de ficção científica, “Triângulo do Medo” é um quebra-cabeça temporal angustiante. O filme começa como um slasher em alto-mar e vai se transformando em algo muito mais complexo e existencial. A protagonista, interpretada por Melissa George, é arrastada por um looping de decisões trágicas, culpa e consequências. Smith constrói um terror cerebral, onde o tempo é uma prisão e o desespero nunca dá trégua. Um achado cult que merece mais reconhecimento.

70. “Olhos Famintos”, de Victor Salva
Um dos grandes terrores dos anos 2000, “Olhos Famintos” começa como um road horror sobre dois irmãos viajando por estradas desertas, mas rapidamente mergulha no sobrenatural. O vilão Creeper, com sua mitologia própria e visual grotesco, tornou-se um ícone moderno do gênero. Salva constrói um primeiro ato tenso, com inspiração clara em O Massacre da Serra Elétrica, e depois entrega uma reviravolta inesperada e corajosa. Apesar das polêmicas envolvendo o diretor, o filme tem um legado marcante para os fãs do horror pulp.

69. “Batem à Porta”, de M. Night Shyamalan
Com poucos personagens e uma casa isolada, “Batem à Porta” transforma um suspense doméstico em uma parábola moral sobre sacrifício, fé e o fim do mundo. Shyamalan aposta novamente em temas espirituais e alegorias religiosas, mantendo o mistério vivo até o fim. Dave Bautista impressiona no papel de um estranho aparentemente gentil, mas que carrega uma missão perturbadora. O filme é tenso, simbólico e inevitavelmente ambíguo — como o bom terror apocalíptico deve ser.

68. “O Babadook”, de Jennifer Kent
Muito mais do que uma simples história de casa assombrada, “O Babadook” é uma poderosa metáfora sobre luto, depressão e maternidade solitária. O monstro que surge de um livro infantil é assustador por si só, mas é a dor emocional da protagonista, interpretada brilhantemente por Essie Davis, que realmente assombra. Jennifer Kent constrói uma obra atmosférica, densa e com identidade própria, que trouxe frescor ao terror psicológico contemporâneo.

67. “Sem Saída”, de James Watkins
“Sem Saída” mistura crítica social com survival horror em um cenário urbano brutal. Acompanhamos um casal que se vê encurralado por um grupo de adolescentes violentos enquanto tenta relaxar em um parque afastado. O filme é tenso, cruel e desconcertante, trazendo à tona o medo da delinquência e do colapso moral das novas gerações. Watkins filma com nervo e claustrofobia, fazendo com que a ameaça pareça plausível demais — e por isso, ainda mais assustadora.

66. “Hereditário”, de Ari Aster
“Hereditário” é o tipo de filme que começa como um drama familiar e termina como um ritual satânico inesquecível. Ari Aster demonstra domínio total do ritmo, da construção do horror e da linguagem visual. A performance de Toni Collette é absolutamente devastadora, e a direção brinca com o espectador de forma cruel e precisa. A atmosfera pesada, os símbolos ocultos e o silêncio que precede o caos transformaram “Hereditário” em um novo clássico — daqueles que te deixam mal por dias.

65. “O Anticristo”, de Lars von Trier
Provocador até o osso, “O Anticristo” é um terror psicológico que explora o luto, o sexo e a violência com brutalidade estética e filosófica. Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe vivem um casal mergulhado na dor da perda, em um filme que mistura o poético com o grotesco. Von Trier não entrega conforto, mas sim uma experiência extrema que divide opiniões: para alguns, uma obra de arte incômoda; para outros, pura provocação. Seja como for, é impossível sair ileso.

64. “A Tristeza”, de Rob Jabbaz
O nome pode enganar: “A Tristeza” é um dos filmes de zumbi mais violentos e insanos da década. Vindos de Taiwan, os infectados aqui não apenas atacam — eles se tornam versões sádicas e sexualmente agressivas de si mesmos. Jabbaz não tem pudores em mostrar o horror em sua forma mais gráfica, com cenas que chocam até o fã mais experiente. Ao mesmo tempo, há uma crítica à apatia coletiva diante do colapso — como se o vírus apenas revelasse o que sempre esteve lá.

63. “Midsommar”, de Ari Aster
Se “Hereditário” era o terror da escuridão, “Midsommar” é o horror à luz do dia. Ambientado em um vilarejo sueco durante um festival pagão, o filme é uma descida lenta e hipnótica para o inferno. Aster usa o luto, o abandono e a codependência emocional como base para um ritual de purificação brutal. Visualmente deslumbrante, cheio de detalhes simbólicos, “Midsommar” é uma obra desconfortável e fascinante, que mistura terror folk com drama psicológico em sua forma mais pura.

62. “Ao Cair da Noite”, de Trey Edward Shults
O apocalipse aqui é sugerido, não mostrado. “Ao Cair da Noite” é um terror paranoico sobre famílias tentando sobreviver a uma praga misteriosa em isolamento. O clima de desconfiança cresce a cada cena, com atuações intensas e uma fotografia que valoriza o vazio e a escuridão. Shults opta por sugerir mais do que revelar, e é exatamente isso que amplifica a angústia. Um filme onde o verdadeiro horror não está lá fora, mas nas decisões que tomamos para sobreviver.

61. “Nosferatu”, de Robert Eggers
Ainda inédito na maioria dos países, “Nosferatu” é a releitura sombria e estilizada do clássico do expressionismo alemão, agora pelas mãos de Robert Eggers. Com seu rigor estético e atmosfera carregada, o filme promete ser não só um tributo à obra original de F.W. Murnau, mas também um mergulho autoral no horror gótico. Mesmo com pouquíssimos detalhes oficiais até agora, sua presença na lista antecipa a relevância do projeto e a confiança absoluta na visão de um dos diretores mais marcantes do gênero atualmente.

60. “Não, Não Olhe!”, de Jordan Peele
Depois de explorar o racismo em “Corra” e a dualidade humana em “Nós”, Peele entrega um épico de ficção científica que mistura Spielberg com crítica social. Não, Não Olhe! é sobre espetáculo — sobre como tudo, inclusive o terror, vira entretenimento. A trama envolve irmãos tentando capturar imagens de um OVNI em uma cidade do interior, mas o que começa como mistério sci-fi se transforma em algo mais profundo e simbólico. É um terror que provoca mais perguntas do que respostas, e por isso mesmo, se destaca como uma das obras mais ousadas da década.

59. “A Ligação”, de Chung-Hyun Lee
Produção sul-coreana que mescla suspense, terror psicológico e viagem no tempo de forma inventiva. Em “A Ligação”, duas mulheres que vivem na mesma casa em épocas diferentes passam a se comunicar por telefone, criando uma relação perigosa e manipulativa. A tensão cresce à medida que passado e presente começam a se contaminar. A montagem é precisa, o ritmo é impecável e o horror vem da sensação de impotência diante do destino. Uma verdadeira joia do terror contemporâneo.

58. “O Telefone Preto”, de Scott Derrickson
Combinando elementos de terror sobrenatural e thriller de sequestro, “O Telefone Preto” é uma obra que impressiona tanto pelo clima sombrio quanto pela construção emocional. Ethan Hawke está assustador como um sequestrador mascarado, enquanto o jovem protagonista tenta escapar com a ajuda de vozes que vêm de um telefone desconectado. Baseado em um conto de Joe Hill, o filme tem alma, peso emocional e um visual retrô que remete ao melhor do horror setentista.

57. “Revelação”, de Robert Zemeckis
Pouco lembrado hoje em dia, Revelação (What Lies Beneath) é um terror elegante, com forte influência de Hitchcock, sobre fantasmas e segredos conjugais. Michelle Pfeiffer está impecável como uma mulher que começa a suspeitar que a casa — e o marido — escondem algo. A direção de Zemeckis é clássica, priorizando atmosfera, planos longos e tensão crescente. Um terror mais contido, mas com um clímax eficiente e uma trilha sonora que ecoa por muito tempo.

56. “O Nevoeiro”, de Frank Darabont
Baseado em uma obra de Stephen King, “O Nevoeiro” vai além do terror de criaturas: é sobre o medo coletivo, o fanatismo e a fragilidade da civilização. Quando uma névoa sobrenatural envolve um supermercado, um grupo de pessoas se vê preso ali — e o verdadeiro monstro acaba sendo o próprio ser humano. O desfecho, cruel e chocante, virou um dos mais comentados (e traumatizantes) do gênero. Um terror claustrofóbico e moralmente incômodo, que só cresce com o tempo.

55. “O Espelho”, de Mike Flanagan
Antes de se consagrar com “A Maldição da Residência Hill”, Mike Flanagan já mostrava seu talento em “O Espelho” (Oculus). A trama acompanha dois irmãos que enfrentam um espelho amaldiçoado que afeta a percepção da realidade. O roteiro alterna passado e presente de forma fluida, criando uma sensação constante de instabilidade. Flanagan aposta mais no desconforto psicológico do que em sustos fáceis, entregando um filme inteligente e visualmente marcante.

54. “Fresh”, de Mimi Cave
Sátira moderna sobre os horrores dos relacionamentos contemporâneos, “Fresh” começa como uma comédia romântica indie e vira um pesadelo canibal de proporções grotescas. Sebastian Stan interpreta um homem encantador que esconde um segredo absolutamente repulsivo. Mimi Cave usa um estilo pop, trilha vibrante e estética refinada para mascarar a podridão do que está por vir. Um filme afiado, provocador e extremamente atual — onde o horror é tão físico quanto simbólico.

53. “Identidade”, de James Mangold
Mistura de suspense, terror e mistério ao estilo Agatha Christie, “Identidade” (Identity) apresenta dez estranhos presos em um motel durante uma tempestade, onde começam a ser assassinados um a um. Aos poucos, a trama revela uma virada psicológica que muda toda a perspectiva. Mangold entrega um filme engenhoso, com clima noir e atuações envolventes. Um terror cerebral, que combina paranoia, fragmentação mental e reviravoltas surpreendentes.

52. “Sorria 2”, de Parker Finn
Continuação que aprofunda os temas do original e investe ainda mais na construção de atmosfera. “Sorria 2” segue a maldição da entidade que se manifesta através de sorrisos macabros e suicídios em cadeia, agora com novos personagens e um olhar ainda mais sombrio sobre trauma e culpa. Finn mostra domínio da linguagem do horror, com visuais perturbadores e um ritmo crescente que mantém o espectador em alerta. Um raro caso onde a sequência respeita — e expande — a mitologia original.

51. “A Espinha do Diabo”, de Guillermo del Toro
Ambientado na Guerra Civil Espanhola, “A Espinha do Diabo” é um conto de fantasmas com coração e contexto histórico. Del Toro combina o sobrenatural com o real de forma delicada, mostrando que os vivos podem ser tão assustadores quanto os mortos. O orfanato, o menino fantasma, a bomba no pátio — tudo aqui carrega simbolismo e melancolia. Um terror poético, visualmente refinado e emocionalmente poderoso, que antecipa muito do que o diretor exploraria depois em “O Labirinto do Fauno”.

50. “A Mesa de Café”, de Caye Casas
Com humor ácido, desconforto crescente e um absurdo que beira o surreal, “A Mesa de Café” é um dos filmes de terror mais incômodos e imprevisíveis dos últimos anos. A trama gira em torno de um presente banal — uma mesa — que desencadeia uma sequência de tragédias. O filme usa o nonsense como arma, transformando a banalidade cotidiana em pesadelo. Casas entrega uma sátira sombria sobre expectativas sociais, futilidades e a ruína que nasce do ego. Um exemplo brilhante de terror cômico e perturbador ao mesmo tempo.

49. “O Banho do Diabo”, de Veronika Franz e Severin Fiala
Inspirado em relatos históricos de caça às bruxas, “O Banho do Diabo” é uma experiência sufocante sobre culpa, repressão sexual e fanatismo religioso. O filme acompanha uma mulher que vive sob regras morais opressoras em uma vila do século XVIII, enquanto tenta conter seus impulsos e pensamentos. A direção dupla — que já havia feito “Goodnight Mommy” — aposta em uma estética fria e narrativa de ritmo lento, mas profundamente inquietante. É o terror da mente em sua forma mais íntima e opressora.

48. “O Exorcismo de Emily Rose”, de Scott Derrickson
Misturando tribunal e possessão demoníaca, “O Exorcismo de Emily Rose” cria um híbrido entre drama jurídico e terror sobrenatural. Inspirado em um caso real, o filme propõe um debate entre fé e ciência sem perder o foco nos elementos assustadores. Jennifer Carpenter impressiona com uma performance física intensa, e Derrickson equilibra o espetáculo do exorcismo com a tensão moral do julgamento. É um filme que transcende o gênero ao colocar o horror como pano de fundo para dilemas humanos.

47. “O Segredo de Marrowbone”, de Sergio G. Sánchez
Com clima gótico e visual melancólico, “O Segredo de Marrowbone” é um terror de atmosfera que prioriza a emoção e o mistério. Acompanhamos quatro irmãos tentando esconder a morte da mãe para evitar serem separados, enquanto lidam com uma presença sombria na casa onde vivem. O filme transita entre drama, fantasia e horror, e guarda reviravoltas que reconfiguram a trama por completo. Sánchez (roteirista de “O Orfanato”) mostra maturidade em sua estreia como diretor, criando uma fábula sombria sobre traumas e segredos.

46. “A Vila”, de M. Night Shyamalan
Talvez um dos filmes mais subestimados de Shyamalan, “A Vila” combina romance, fábula moral e terror psicológico em um pacote visualmente deslumbrante. A ambientação em uma comunidade isolada no século XIX e o medo de criaturas na floresta criam uma tensão palpável — até que a revelação muda tudo. Mais do que um twist, o filme discute medo como instrumento de controle. Bryce Dallas Howard entrega uma performance comovente, e James Newton Howard assina uma das trilhas mais belas do gênero.

45. “Cuidado com Quem Chama”, de Rob Savage
Gravado inteiramente em chamadas de vídeo durante a pandemia, “Cuidado com Quem Chama” (Host) é um exemplo brilhante de criatividade com recursos limitados. O filme acompanha um grupo de amigos que participam de uma sessão espírita via Zoom — e, claro, algo dá muito errado. Com apenas 56 minutos, o filme constrói tensão de forma rápida e eficaz, com sustos bem orquestrados e atmosfera claustrofóbica. Um reflexo perfeito de seu tempo, que transformou o isolamento em ferramenta de horror.

44. “Cloverfield: Monstro”, de Matt Reeves
Combinando found footage e filme de monstro, “Cloverfield” trouxe uma abordagem crua e realista para a destruição em massa. A câmera tremida e a perspectiva limitada dos personagens criam uma sensação de imersão total, onde o caos é sentido, não apenas mostrado. Reeves entrega um terror de escala gigantesca com foco nas reações humanas, e o mistério em torno da criatura — que mal aparece por completo — só aumenta o impacto. Um marco moderno do kaiju horror.

43. “Creepy”, de Kiyoshi Kurosawa
Sutil e profundamente desconfortante, “Creepy” é um thriller japonês sobre um ex-detetive que começa a suspeitar que seu vizinho pode estar envolvido em desaparecimentos. O filme brinca com a ideia de que o mal pode morar ao lado — literal e metaforicamente. Kurosawa constrói tensão com silêncio, olhares e longos planos, tornando cada diálogo uma ameaça. É o terror da normalidade distorcida, onde a cordialidade esconde algo monstruoso. Um filme que te corrói devagar.

42. “Fragmentado”, de M. Night Shyamalan
James McAvoy brilha ao interpretar 23 personalidades em um único corpo neste thriller que flerta com o sobrenatural. “Fragmentado” é tenso, estilizado e marca o retorno de Shyamalan ao jogo, preparando terreno para o crossover com “Corpo Fechado”. O terror psicológico ganha contornos de supervilania conforme a história avança, e a transformação física e vocal de McAvoy é um show à parte. Um estudo de personagem que também é um pesadelo claustrofóbico.

41. “Pearl”, de Ti West
Prequela de “X: A Marca da Morte”, “Pearl” é um terror trágico e estilizado, com forte influência do melodrama clássico. Mia Goth entrega uma das performances mais impressionantes do gênero nos últimos anos, dando vida a uma personagem complexa, vulnerável e aterradora. O terror aqui vem do isolamento, da frustração e da ambição sufocada. Visualmente vibrante e surpreendentemente sensível, o filme humaniza o monstro — e isso é o que o torna tão perturbador.

40. “Extermínio”, de Danny Boyle
Um dos filmes responsáveis por revigorar o subgênero zumbi nos anos 2000, “Extermínio” apresenta infectados ágeis, furiosos e imprevisíveis. A direção energética de Boyle, combinada à fotografia digital crua e ao clima de colapso social, criou uma nova estética para o apocalipse. A cena de abertura em uma Londres deserta é icônica, e o roteiro mistura tensão constante com momentos de silêncio devastador. Um terror sujo, urgente e politicamente carregado, que influenciou tudo que veio depois.

39. “Psicopata Americano”, de Mary Harron
Adaptado do polêmico romance de Bret Easton Ellis, “Psicopata Americano” é tanto um estudo de personagem quanto uma sátira cruel do capitalismo, do ego masculino e da cultura yuppie. Christian Bale está hipnotizante como Patrick Bateman, um executivo narcisista que divide seus dias entre skincare, status social e assassinatos. O filme brinca com a dúvida: o horror é real ou tudo está na mente dele? Ambíguo, estiloso e desconcertante, é um terror que desafia o espectador a rir e se enojar ao mesmo tempo.

38. “Mãe!”, de Darren Aronofsky
Amado e odiado em proporções iguais, “Mãe!” é um pesadelo alegórico onde religião, fama, maternidade e destruição ambiental se fundem em uma parábola insana. Jennifer Lawrence e Javier Bardem vivem um casal envolvido em uma espiral de caos que começa com pequenas perturbações domésticas e culmina em um clímax apocalíptico. Aronofsky filma como se estivesse em transe, usando a câmera colada no rosto da protagonista, sem dar ao público tempo para respirar. Um filme ousado, provocador e impossível de esquecer.

37. “Saint Maud”, de Rose Glass
Minimalista, introspectivo e assustador por dentro, “Saint Maud” acompanha uma jovem enfermeira profundamente religiosa que acredita estar salvando a alma de sua paciente — mesmo que isso custe a própria sanidade. Rose Glass cria uma atmosfera sufocante, onde fé, culpa e isolamento se transformam em terror psicológico puro. O trabalho de som e a interpretação inquietante de Morfydd Clark ampliam a tensão até o desfecho perturbador. Um retrato sombrio do fanatismo e da solidão.

36. “Noites Brutais”, de Zach Cregger
O que começa como um suspense sobre uma mulher que reserva um Airbnb ocupado por um estranho se transforma em algo muito mais insano. “Noites Brutais” desconstrói expectativas a cada ato, misturando terror urbano, grotesco e crítica social. O humor ácido se mistura com momentos de puro pavor, criando uma experiência imprevisível. Zach Cregger, vindo da comédia, mostra domínio absoluto da tensão e da reviravolta. Um dos filmes mais surpreendentes e comentados dos últimos tempos.

35. “Rua Cloverfield, 10”, de Dan Trachtenberg
“Rua Cloverfield, 10” é um thriller claustrofóbico disfarçado de filme de ficção científica. A história gira em torno de uma mulher presa em um bunker por um homem que afirma estar salvando-a de uma ameaça do lado de fora. John Goodman está assustadoramente ambíguo no papel, alternando entre protetor e psicopata. O filme brilha ao manter o público em dúvida constante sobre o que é real — e mesmo quando revela suas cartas, o desconforto persiste. Uma obra tensa e engenhosa.

34. “Doutor Sono”, de Mike Flanagan
Continuação de “O Iluminado” que surpreendentemente funciona tanto como homenagem quanto como expansão do universo original. “Doutor Sono” aprofunda a história de Danny Torrance, agora adulto e lidando com seus próprios fantasmas — internos e literais. Flanagan equilibra o respeito por Kubrick com seu estilo pessoal, oferecendo cenas de terror visualmente impactantes e um vilão carismático vivido por Rebecca Ferguson. Um filme sobre trauma, redenção e a luta para não ser consumido pelo passado.

33. “Eu Vi o Diabo”, de Kim Jee-woon
Violento, estilizado e emocionalmente devastador, “Eu Vi o Diabo” é tanto um filme de vingança quanto uma meditação sobre o que acontece quando nos tornamos aquilo que odiamos. Após o assassinato brutal de sua noiva, um agente secreto inicia um jogo de caça e tortura com o serial killer responsável. Kim Jee-woon dirige com brutalidade estética, mostrando a escalada da violência de forma impactante e nunca gratuita. Um filme intenso e devastador, onde todos perdem.

32. “Pânico 4”, de Wes Craven
Muito antes da atual onda de requels, “Pânico 4” já satirizava os reboots e a obsessão por fama digital. Craven retorna com sua metalinguagem afiada, resgatando o espírito da franquia e atualizando os temas para a geração das redes sociais. O roteiro de Kevin Williamson é cheio de referências, reviravoltas e diálogos ácidos. E Sidney, Gale e Dewey continuam sendo alguns dos personagens mais carismáticos do gênero. Um retorno digno e, até hoje, subestimado.

31. “A Casa que Jack Construiu”, de Lars von Trier
Completamente perturbador, “A Casa que Jack Construiu” acompanha um serial killer ao longo de 12 anos, enquanto ele reflete sobre seus crimes como se fossem obras de arte. Von Trier mistura violência gráfica, filosofia, mitologia e humor ácido em um filme que choca, irrita e fascina. Matt Dillon entrega uma das melhores performances da carreira. A jornada ao inferno literal do protagonista é um delírio visual e narrativo — uma provocação consciente que desafia limites éticos e cinematográficos

30. “O Lamento”, de Na Hong-jin
Uma das obras mais enigmáticas e intensas do terror coreano, “O Lamento” é um mergulho em paranoia, espiritualidade e maldição. A trama acompanha um policial que investiga mortes misteriosas em sua vila, e o que começa como suspense investigativo vai se tornando um pesadelo cósmico, com influências do folclore asiático, xamanismo e horror sobrenatural. Na Hong-jin constrói uma atmosfera densa, onde o espectador, assim como o protagonista, não sabe em quem confiar. Um épico sombrio, complexo e que exige (e recompensa) atenção total.

29. “Sinais”, de M. Night Shyamalan
Muito além de um filme sobre invasão alienígena, “Sinais” é uma reflexão sobre fé, perda e o medo do desconhecido. Shyamalan utiliza o ponto de vista limitado de uma família rural para construir tensão com maestria — e o resultado são algumas das cenas mais memoráveis do terror moderno. Mel Gibson e Joaquin Phoenix entregam atuações comoventes, e a trilha de James Newton Howard contribui para um clima de angústia crescente. É um filme sobre encontrar sentido em meio ao caos — mesmo quando esse sentido envolve visitantes de outro mundo.

28. “X: A Marca da Morte”, de Ti West
Um dos terrores mais estilosos da A24, “X” é um slasher com alma retrô que presta homenagem ao cinema exploitation dos anos 70. Acompanhamos um grupo de jovens que viaja até uma fazenda isolada para filmar um pornô — mas são surpreendidos por um casal de idosos com intenções mortais. Ti West brinca com a estética do gênero, mas injeta subtexto sobre juventude, repressão e desejo. Mia Goth brilha em dois papéis distintos, e o resultado é ao mesmo tempo sangrento, sensual e melancólico. Um terror que trata o envelhecimento como algo verdadeiramente aterrorizante.

27. “Maligno”, de James Wan
Amado por uns, odiado por outros, “Maligno” é o tipo de filme que beira o trash — e sabe disso. James Wan entrega uma homenagem descarada ao giallo, ao body horror e aos thrillers dos anos 90, com uma história absurda sobre um “amigo imaginário” assassino que se revela algo muito mais bizarro. A virada no terceiro ato é tão inesperada quanto insana, e o filme abraça esse exagero com estilo. É um exercício de liberdade criativa raro no terror mainstream, e por isso mesmo, merece seu lugar aqui.

26. “Os Inocentes”, de Eskil Vogt
Assustador não por monstros, mas por mostrar o lado sombrio da infância, “Os Inocentes” é um conto perturbador sobre crianças que descobrem ter poderes — e usam isso para explorar empatia, crueldade e controle. Vogt filma com calma, priorizando o cotidiano e os silêncios, o que torna cada ato de violência ainda mais impactante. A atuação do elenco infantil é extraordinária, e o terror surge da banalidade com que o mal é tratado quando ainda não se entende totalmente o que ele significa. Um filme inquietante, cruel e emocionalmente devastador.

25. “Corra”, de Jordan Peele
Um divisor de águas no terror moderno, “Corra” usa o gênero para expor o racismo estrutural com inteligência, ironia e tensão crescente. A trama do jovem negro que visita a família da namorada branca e descobre um segredo macabro é uma metáfora poderosa sobre apropriação e objetificação racial. Peele faz um terror político acessível, cheio de camadas e simbolismos, sem abrir mão do suspense. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, é um dos filmes mais influentes (e imitados) da década.

24. “O Sacrifício do Cervo Sagrado”, de Yorgos Lanthimos
Minimalista, cruel e absolutamente perturbador, “O Sacrifício do Cervo Sagrado” é um terror psicológico que se aproxima de uma tragédia grega em forma e conteúdo. Colin Farrell interpreta um médico envolvido em um pacto sombrio que coloca sua família em risco. A direção fria de Lanthimos, os diálogos robóticos e o uso calculado do som criam um distanciamento incômodo que torna tudo ainda mais agoniante. É um filme sobre culpa, punição e escolhas impossíveis — com uma aura de horror moral que pesa até depois dos créditos.

23. “1922”, de Zak Hilditch
Baseado em um conto de Stephen King, “1922” é uma história de assassinato, remorso e degradação física e psicológica. Após matar a esposa para não perder suas terras, um fazendeiro rural começa a ser assombrado por visões — ou seriam apenas frutos da culpa? Thomas Jane está irreconhecível no papel principal, e o tom sombrio e silencioso do filme faz com que o horror vá se infiltrando aos poucos. É um terror de decadência, culpa e roedores — muitos roedores.

22. “Hush: A Morte Ouve”, de Mike Flanagan
Com uma protagonista surda e muda, “Hush” reinventa o home invasion ao tirar o som da equação. O filme acompanha uma escritora solitária que precisa enfrentar um assassino mascarado que invade sua casa. Flanagan transforma a limitação sensorial em ferramenta narrativa, criando uma tensão pura e direta, quase sem diálogos. A protagonista, interpretada por Kate Siegel, é uma final girl moderna e engenhosa, e o filme brilha justamente por sua simplicidade afiada. Um thriller preciso, seco e muito eficiente.

21. “Goodnight Mommy”, de Veronika Franz e Severin Fiala
Sinistro, enigmático e devastador, “Goodnight Mommy” é um terror psicológico austríaco sobre dois irmãos gêmeos que desconfiam que a mãe que voltou para casa — após uma cirurgia facial — não é realmente sua mãe. O filme lida com identidade, trauma e percepção infantil de forma desconcertante. A direção aposta em silêncios, enquadramentos frios e uma crescente sensação de que há algo muito errado. O desfecho é chocante e faz tudo o que veio antes ganhar um novo peso. Um dos terrores mais incômodos dos últimos anos.

20. “Assim na Terra, Como no Inferno”, de John Erick Dowdle
Filmado como um found footage claustrofóbico nas catacumbas de Paris, “Assim na Terra, Como no Inferno” é uma jornada literal e simbólica ao inferno — e uma das experiências mais sufocantes do terror recente. Acompanhando um grupo de exploradores urbanos em busca de uma relíquia, o filme começa como aventura arqueológica e logo mergulha em horror existencial. O que os personagens enfrentam nos túneis não são apenas armadilhas ou criaturas, mas seus próprios traumas e pecados. Um terror labiríntico e psicológico, com um final que ecoa a tradição dantesca.

19. “Madrugada dos Mortos”, de Zack Snyder
Refilmagem do clássico de George A. Romero, “Madrugada dos Mortos” foi o filme que apresentou Zack Snyder ao mundo — e que trouxe os zumbis corredores para o século XXI. Com um prólogo eletrizante e uma direção dinâmica, o longa combina ação, crítica social e puro entretenimento sangrento. A ambientação em um shopping center funciona como uma metáfora do consumismo, e o roteiro de James Gunn injeta humor ácido e diálogos afiados. Um dos remakes mais respeitados do gênero, que honra e atualiza o legado original.

18. “Arraste-me para o Inferno”, de Sam Raimi
Depois de anos longe do terror, Sam Raimi retorna às origens com um filme que é puro deleite para fãs do horror grotesco. “Arraste-me para o Inferno” mistura maldições ciganas, vômitos sobrenaturais e humor físico em um espetáculo exagerado e delicioso. A protagonista, vivida por Alison Lohman, é uma anti-heroína envolta em culpa e ganância, e o filme não tem medo de ser bizarro — ou de punir suas escolhas. Um terror cartunesco, barulhento e divertido como só Raimi sabe fazer.

17. “REC”, de Jaume Balagueró e Paco Plaza
Um dos filmes de found footage mais assustadores de todos os tempos, “REC” acompanha uma repórter e seu cinegrafista durante o plantão de um quartel de bombeiros que atende a um chamado em um prédio… e então o inferno começa. Filmado inteiramente em primeira pessoa, o longa cria uma tensão crescente com realismo e urgência. O uso do espaço fechado, a iluminação natural e o mistério em torno da infecção são magistralmente conduzidos. A cena final, com visão noturna, é simplesmente icônica. Um marco do terror espanhol

16. “A Visita”, de M. Night Shyamalan
Shyamalan voltou à boa forma com “A Visita”, um filme que mistura humor, tensão e sustos genuínos de forma surpreendentemente eficaz. Duas crianças vão passar uns dias com os avós… mas algo está errado. Usando o found footage de maneira criativa, o diretor cria um clima de desconforto crescente, em que cada comportamento estranho parece esconder algo maior. O humor desconcertante se transforma em horror puro na reta final, com uma reviravolta simples e brilhante. Um filme enxuto, criativo e muito, muito incômodo.

15. “Nós”, de Jordan Peele
Em “Nós”, Peele amplia sua ambição temática e visual, oferecendo um terror sobre identidade, desigualdade e dualidade humana. A história de uma família que enfrenta suas versões sombrias é ao mesmo tempo um slasher criativo e uma alegoria política poderosa. Lupita Nyong’o entrega uma atuação extraordinária em dois papéis, e a trilha sonora é memorável. A mitologia criada pode parecer confusa à primeira vista, mas o subtexto é claro: o verdadeiro inimigo pode ser aquele que vive à margem e nos observa — ou aquele que escolhemos ignorar.

14. “O Homem nas Trevas”, de Fede Álvarez
Inovando dentro do subgênero de invasão domiciliar, “O Homem nas Trevas” subverte a lógica do “quem é a vítima?” ao apresentar assaltantes que invadem a casa de um veterano cego — e rapidamente descobrem que o verdadeiro perigo não é a cegueira, mas o que ele esconde no porão. Com direção tensa e sequências quase silenciosas, Álvarez conduz um suspense sujo e envolvente. O personagem do cego é amoral, imprevisível e aterrador, e o filme se desenrola como uma armadilha em tempo real.

13. “Jogos Mortais”, de James Wan
Com orçamento modesto e uma ideia ousada, “Jogos Mortais” revolucionou o terror dos anos 2000. James Wan e Leigh Whannell criaram um assassino que não mata diretamente, mas coloca suas vítimas para escolher entre dor e redenção. O conceito de moralidade distorcida e as armadilhas sádicas se tornaram ícones do gênero. O primeiro filme é claustrofóbico, sombrio e termina com um dos melhores plot twists do terror moderno. Um marco que gerou uma franquia e redefiniu o horror como experiência de tortura — mas com cérebro.

12. “Faça Ela Voltar”, de Danny e Michael Phillipou
Conhecidos por seu canal de terror no YouTube, os irmãos Phillipou surpreenderam com um longa maduro e emocionalmente intenso. “Faça Ela Voltar” (Talk to Me) é um terror sobre luto, dependência emocional e a tentação de fugir da dor por qualquer meio — mesmo que isso signifique abrir as portas para o além. A ideia da mão amaldiçoada que permite “conversar” com os mortos é simples, mas usada com criatividade e impacto. O filme equilibra bem o terror visceral com o drama humano. Um dos melhores debutes dos últimos anos.

11. “A Substância”, de Coralie Fargeat
Violento, estilizado e absolutamente provocador, “A Substância” é body horror feminista em sua forma mais radical. Com ecos de Cronenberg, o filme acompanha uma atriz em decadência que se submete a um tratamento rejuvenescente experimental — e o resultado é uma transformação grotesca e dolorosa. Fargeat não economiza no sangue nem na crítica à obsessão por juventude, fama e imagem. É um filme que incomoda, fascina e escancara o quanto a sociedade espera que mulheres sejam descartáveis e eternamente belas. Brutal e brilhante.

10. “O Farol”, de Robert Eggers
Hipnótico, insano e visualmente deslumbrante, “O Farol” é um pesadelo em preto e branco sobre masculinidade tóxica, loucura e isolamento. Robert Pattinson e Willem Dafoe entregam atuações poderosas e animalescas, em um embate entre personagens presos em uma espiral de delírio e dominação. Eggers constrói um horror atmosférico cheio de simbolismos mitológicos e freudianos, com diálogos arcaicos e uma fotografia que parece gravada na pedra. Um filme que grita, sussurra e enlouquece. Literalmente.

9. “Deixe Ela Entrar”, de Tomas Alfredson
Um conto de vampiros melancólico e delicado, “Deixe Ela Entrar” transforma o horror em poesia sombria. A amizade entre um garoto solitário e uma criatura centenária com forma de menina se desenrola com doçura e tensão crescente. Alfredson evita o gore fácil e investe na atmosfera, nos silêncios, na neve que tudo cobre. É um filme sobre infância, rejeição e violência — tanto sobrenatural quanto cotidiana. Uma joia sueca que reinventou o mito do vampiro com elegância e alma

8. “Abismo do Medo”, de Neil Marshall
Um dos filmes mais claustrofóbicos já feitos, “Abismo do Medo” começa como uma aventura de espeleologia e termina em puro horror primal. Um grupo de mulheres se vê preso em cavernas inexploradas — e algo mais as persegue. A tensão física se soma à psicológica, e o design das criaturas é aterrador. Marshall cria um ambiente opressivo e sem escapatória, onde a luz quase não existe e a sanidade desmorona. Um terror que esmaga, morde e deixa sem ar.

7. “Speak No Evil”, de Christian Tafdrup
“Speak No Evil” é o tipo de terror que aperta devagar — e nunca solta. Um casal dinamarquês visita novos amigos holandeses e, aos poucos, percebe que algo está errado. O desconforto cresce a cada cena, alimentado por normas sociais, passividade e o medo de ser mal-educado. Quando o horror finalmente se revela, ele é seco, cruel e sem alívio. Tafdrup oferece uma crítica feroz à complacência, onde o mal se alimenta do nosso desejo de não causar constrangimentos. Brutal, silencioso e inesquecível.

6. “O Homem Invisível”, de Leigh Whannell
Uma das melhores atualizações de um monstro clássico, “O Homem Invisível” transforma a figura do vilão em uma metáfora perfeita para abuso psicológico, gaslighting e violência doméstica. Elisabeth Moss entrega uma performance visceral como a vítima que ninguém acredita, enquanto Whannell usa o espaço vazio como ameaça constante. Cada plano pode esconder o inimigo — ou não. O resultado é um terror elegante, angustiante e incrivelmente atual, que transforma silêncio em pavor.

5. “A Bruxa”, de Robert Eggers
Ambientado na Nova Inglaterra do século XVII, “A Bruxa” é um retrato sombrio do fanatismo religioso, da repressão sexual e da desintegração familiar. Com diálogos retirados de documentos da época e uma direção meticulosa, Eggers cria uma atmosfera que é ao mesmo tempo histórica e assombrada. O terror aqui é sutil, inquietante e carregado de simbolismo. O nascimento de Thomasin como figura de libertação é um dos momentos mais marcantes do século. Um horror que sussurra — e depois te devora.

4. “O Labirinto do Fauno”, de Guillermo del Toro
Poucos filmes equilibram tão bem fantasia e horror como “O Labirinto do Fauno”. Ambientado na Espanha franquista, o longa mistura um conto de fadas sombrio com a brutalidade do mundo real. A jovem Ofelia encontra refúgio em um universo mítico, enquanto o Capitão Vidal impõe a verdadeira monstruosidade. Del Toro entrega uma fábula política, poética e profundamente emocional, onde o escapismo é tanto fuga quanto resistência. Um clássico moderno do cinema — não apenas do gênero.

3. “A Entidade”, de Scott Derrickson
Talvez o filme mais assustador em termos de atmosfera pura. “A Entidade” segue um escritor que encontra fitas de super-8 com registros de assassinatos macabros — e inadvertidamente liberta uma força demoníaca. Derrickson constrói um horror lento, meticuloso e envolvente, com uso inteligente de som e imagens perturbadoras. A presença de Bughuul, o vilão silencioso e observador, é gelada. Uma obra que entende o poder do que é visto — e, principalmente, do que é sugerido.

2. “Os Outros”, de Alejandro Amenábar
Clássico instantâneo desde o lançamento, “Os Outros” é uma aula de construção de suspense gótico. Nicole Kidman está magnética como uma mãe rígida vivendo em uma mansão isolada com seus filhos fotossensíveis — até que estranhas presenças começam a se manifestar. O uso da luz, do som e dos espaços é exemplar, e o desfecho é um dos mais memoráveis do gênero. Amenábar entrega um terror refinado, emocional e comovente, onde os verdadeiros fantasmas talvez sejamos nós.

1. “Invocação do Mal”, de James Wan
Nenhum outro filme redefiniu o terror mainstream no século XXI como “Invocação do Mal”. Inspirado nos arquivos de Ed e Lorraine Warren, o filme mistura possessão, exorcismo e casa mal-assombrada com uma direção clássica e elegante. James Wan domina a arte do susto e da tensão, criando cenas icônicas com ritmo e precisão. A ambientação setentista, o cuidado com os personagens e a trilha sonora imersiva elevaram o filme a um novo patamar. Um blockbuster do horror com alma — e coragem para assustar de verdade.

Chegamos ao final da lista! Depois de muito sangue, pavor, criaturas, possessões, traumas e insanidades… tá aí a minha lista com os 100 melhores filmes de terror do século XXI. Não é um ranking técnico, é uma seleção afetiva, construída com base em impacto, relevância e, principalmente, como esses filmes me marcaram como espectador e crítico. Tem obra-prima cultuada, tem pérola esquecida, tem filme recente e clássico instantâneo.

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