“Caramelo” e a doçura das conexões simples

O filme “Caramelo”, dirigido por Diego Freitas, parte de uma premissa sensível e envolvente ao concentrar seu núcleo emocional na relação entre Pedro (vivido por Rafael Vitti) e o cão Caramelo (interpretado por Amendoim). Essa escolha narrativa é o grande coração da história — e quando o foco está nessa dupla, o filme encontra seus momentos mais tocantes.

Pedro (Rafael Vitti) é um chef de cozinha que vê sua vida mudar completamente após receber um diagnóstico de saúde delicado. Em meio às incertezas, ele encontra um vira-lata caramelo nas ruas, e dali nasce uma amizade que transforma sua rotina e sua forma de encarar o mundo. Caramelo o acompanha em uma jornada de recomeço, marcada por afeto, companheirismo e descobertas.

A relação entre os dois é o ponto mais encantador da trama. A presença de Amendoim em cena é carismática, e o filme se beneficia muito disso. A espontaneidade do cachorro e sua interação com o protagonista criam uma conexão genuína, que emociona sem precisar de palavras. Há algo de muito verdadeiro nessa relação — e é ali que o filme mais brilha.

Em alguns momentos, “Caramelo” se abre para outras tramas e personagens, o que dá à narrativa um ar mais amplo, mas também faz com que o foco principal — a amizade entre Pedro e seu cachorro — se perca um pouco. O diagnóstico de Pedro traz um componente dramático importante, mas por vezes o filme parece querer equilibrar várias emoções ao mesmo tempo, e isso o deixa um pouco disperso. Ainda assim, é fácil se envolver com o que está em jogo, porque há sinceridade na forma como o roteiro aborda o amor, a dor e a superação.

Os personagens coadjuvantes também ajudam a compor o universo do protagonista, ainda que nem todos tenham tempo de desenvolvimento. São figuras que trazem pequenas contribuições, ampliando o tom afetivo da história.

A Paola Carosella tem uma breve participação, interpretando uma chefe de cozinha com um temperamento mais ríspido — um papel que conversa com a imagem pública que o público já conhece dela. Sua presença funciona mais como um aceno divertido ao público do que como algo essencial à narrativa, mas é um toque simpático dentro do conjunto.

O filme aposta em uma mistura de drama e leveza, e essa combinação funciona na maior parte do tempo. Os diálogos são simples e diretos, o que ajuda na identificação do público com as situações. Mesmo quando o tom emocional se intensifica, há uma doçura que se mantém presente, sem soar excessivamente triste.

No fim, “Caramelo” é um filme sobre afeto, recomeços e a força das conexões mais simples. Seu maior trunfo está em celebrar o vínculo entre um homem e seu cachorro — um laço que se constrói com gestos, silêncios e olhares. Ainda que tenha alguns tropeços e se estenda por caminhos que poderiam ser mais sutis, o filme emociona pela sinceridade com que trata seus personagens e pela ternura que desperta. Mesmo quem não é fã de histórias de animais vai se ver sorrindo (ou se emocionando) em algum momento.

Confira o trailer:

🍿 Filme: Caramelo
📺 Onde assistir: Netflix
Nota: ✱ ✱ ✱ – (6.0/10) Bom
Direção: Diego Freitas
2025 ‧ Drama/Comédial ‧ 1h50m

Os comentários estão encerrados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑