
“Kadaver” pode passar despercebido por aquelas pessoas que costumam assistir apenas os filmes bem avaliados em sites de métricas de público e crítica. É claro que parte da história do longa não é bem desenvolvida, mas é notável a originalidade e um pouco da força de vontade do diretor em tornar o seu roteiro ainda mais interessante através do seu domínio com a câmera. É um terror inventivo que nas mãos de um profissional mais experiente se tornaria um dos melhores do gênero.
Na trama, vivendo um escasso período de fome após um desastre nuclear, uma família de três pessoas é convidada para um evento de caridade em um hotel, onde os convidados serão alimentados. Tudo corre bem, até que, uma a uma, as pessoas começam a desaparecer, desencadeando uma sombria trama.
O roteiro e a direção ficou por conta do novato Jarand Breian Herdal, e nesse trabalho você percebe o potencial do cineasta pela maneira com que ele usa a câmara e conduz todo o mistério – especialmente nos 40 primeiros minutos de filme. Mas no segundo ato, todos os problemas que antes não eram tão perceptíveis ganham força pela fragilidade do roteiro.
Além da situação atual em que se encontram todos os personagens — em um mundo devastado pelas bombas nucleares –, outro tema relevante para um filme de terror ganha maior destaque conforme as revelações surgem. Quando esse ápice acontece, percebemos que a história tinha um tremendo potencial para ser ainda mais chocante e impactante, mas infelizmente não é o que acontece já que as revelações surgem de maneira bastante superficial.
Também não podemos descartar em que uma cidade destruída por um ataque nuclear, um hotel não funcionaria com energia elétrica, as pessoas não sobreviveriam tanto tempo sem trabalho e outros fatores que o roteiro parece simplesmente ignorar ao focar no que acontece dentro do hotel, ignorando todo o entorno.
Mas além das falhas, há os acertos e a boa vontade do cineasta em inovar e contar uma história de terror diferente de tantas outras, como podemos perceber a forte influência do diretor no conto “Alice no País das Maravilhas”, isso fica nítido através de algumas escolhas narrativas, como é o caso da garotinha chamada Alice, do seu coelho de pelúcia, do insano anfitrião, do espelho, dentre tantos outros elementos do clássico infantil que foram reutilizados nesse longa.
No elenco há alguns nomes conhecidos como é o caso do protagonista Thomas Gullestad (“O 12º Homem”), Thorbjørn Harr (da série “Vikings”) e Maria Grazia Di Meo (“A Pior Pessoa do Mundo”), todos estão bem em seus papéis, mas nenhum deles entregam performances que se destacam.
“Kadaver” certamente vai te instigar nas primeiras horas, mas talvez te desaponte quando os desdobramentos surgirem, e nem digo isso pelas revelações que são bem interessantes para um filme do gênero, mas sim pela forma com que elas são introduzidas. Todos os desdobramentos soam apressados e sem uma contextualização que deveria ter sido melhor aproveitada.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️ – Bom
🎥 Filme: Cadaver (Kadaver)
🔴 Disponível em: Netflix
Direção: Jarand Herdal
2020 ‧ Terror ‧ 1h 26m
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