“A Namorada Ideal” é um suspense envolvente e perfeito para maratonar

“A Namorada Ideal” chamou minha atenção já pelo pôster, que destaca Robin Wright (“House of Cards”) ao lado dos jovens Laurie Davidson (“Mary & George”) e Olivia Cooke (“A Casa do Dragão”). Quando assisti ao trailer, o interesse só aumentou: trata-se de um thriller com uma premissa bastante instigante sobre manipulação e mentiras.

A trama acompanha a jovem Cherry (Olivia Cooke), que se envolve com Daniel (Laurie Davidson), filho de Laura (Robin Wright). Desde o início, Laura não simpatiza com a nora e fará de tudo para abrir os olhos do filho. Mas a narrativa vai muito além dessa desconfiança inicial. Cada episódio se alterna entre duas perspectivas — a de Laura e a de Cherry —, fazendo com que o espectador se divida constantemente sobre quem seria, de fato, o verdadeiro problema na vida de Daniel.

O que torna “A Namorada Ideal” ainda mais interessante é ser uma produção enxuta — prefiro não chamar de minissérie, já que, como acontece com tudo que faz sucesso, pode muito bem ganhar continuidade. São apenas seis episódios, conduzidos por uma narrativa ágil e envolvente, daquelas que prendem o espectador até o desfecho, que ainda reserva um delicioso ar de novelão dos bons.

É importante entender: trata-se de entretenimento puro, sem a necessidade de buscar verossimilhança em cada acontecimento. A proposta é justamente divertir com reviravoltas inesperadas, situações que fogem ao controle dos personagens e uma espiral de eventos que, em outra produção mais “séria”, poderiam soar absurdos. Aqui, no entanto, tudo funciona. “A Namorada Ideal” é uma história de paranoia, obsessão e rivalidade feminina contada como deve ser: com intensidade, exagero na medida certa e um ritmo que lembra as melhores novelas, mas com a vantagem de ser uma série direta, sem enrolação, perfeita para uma maratona divertida.

Amparada por um elenco escolhido com precisão, a minissérie se destaca especialmente pela ótima química entre Robin Wright e Olivia Cooke. Juntas, elas protagonizam alguns dos momentos mais intensos da trama, em que uma personagem investiga a outra e ambas fazem de tudo para destruir quem ameaça seus planos.

Além da química entre as protagonistas, Laurie Davidson também se destaca em cenas quentes ao lado de Olivia Cooke, que tornam a dinâmica da rivalidade ainda mais explosiva. Isso porque a mãe de Daniel, extremamente possessiva, flagra os dois em momentos íntimos — situação que só intensifica o embate entre sogra e nora.

O primeiro episódio segue a atmosfera de thrillers dos anos 90, em que uma personagem feminina carrega um ar de perigo como nos clássicos “Atração Fatal”, com Glenn Close, “A Mão que Balança o Berço”, ou mesmo ao mais recente “Garota Exemplar”. Já o segundo episódio aposta em uma narrativa que remete bastante a “The White Lotus”, com uma trilha sonora bem semelhante, ambientado em uma viagem que reúne vários personagens, explorando as tensões da convivência, além de mistérios e tragédias que surgem pelo caminho. Uma dessas situações, envolvendo Daniel, se torna o motor do terceiro episódio, que deixa de lado o entretenimento das intrigas para mergulhar em um drama mais intenso.

Mesmo que o personagem de Daniel (Laurie Davidson) protagonize momentos picantes com Cherry (Olivia Cooke), não chega a ser tão interessante quanto as duas mulheres que o cercam. Ao longo da trama, ele se mostra mais como um fantoche, constantemente manipulado por Cherry e, sobretudo, por sua mãe, que após um acidente passa a controlar todos os aspectos de sua relação. Sua passividade durante os seis episódios o transforma quase em um objeto narrativo, alguém que existe mais para movimentar as peças do jogo do que para agir por conta própria. Ele é apenas o homem desejado pela namorada e o protegido extremo da mãe, sem grandes decisões ou revelações próprias — exceto por um detalhe final, sutil e surpreendente, envolvendo um gato, que surge no momento certo para alterar a percepção que ele tinha de toda a história.

Além dos conflitos que servem de ponto de partida para a trama, segredos do passado de Cherry começam a vir à tona por meio de sua mãe, Tracey (Karen Henthorn), e de seu pai, que vive em um asilo. Curiosamente, sempre que ele escuta o nome da filha ou cruza com ela, reage de forma estranha, como se nutrisse um profundo ressentimento. Ao chegarmos no desfecho, essas situações, por mais evidentes que pareçam, mantêm certa dualidade, já que nem todas as informações são reveladas de imediato. É apenas nos episódios finais, em uma conversa entre Laura (Robin Wright) e Tracey, que algumas peças se encaixam, esclarecendo dúvidas que nos acompanharam desde o início.

Laura (Robin Wright) também enfrenta dilemas pessoais e problemas no casamento, além de carregar um passado com Lilith (Anna Chancellor), elementos que enriquecem ainda mais a trama. Embora o fio condutor de “A Namorada Ideal” seja o casal formado por Cherry (Olivia Cooke) e Daniel (Laurie Davidson), e a rivalidade entre Cherry e Laura, a série apresenta outras subtramas que movimentam a narrativa, sem se prender exclusivamente ao núcleo central. É notável como, em apenas seis episódios, essas histórias paralelas são bem exploradas, contribuindo para a construção de toda a tensão em torno do eixo principal.

“A Namorada Ideal” se mostra uma experiência envolvente e bem construída, capaz de equilibrar suspense, drama e entretenimento puro em apenas seis episódios. Com reviravoltas engenhosas e subtramas que tornam a narrativa eletrizante, a série consegue manter o espectador constantemente na dúvida sobre quem está no controle de cada situação. A química impecável entre Robin Wright e Olivia Cooke, os conflitos familiares intensos e os momentos de tensão cuidadosamente dosados fazem desta produção um thriller contemporâneo que sabe exatamente como divertir e surpreender.

É uma daquelas histórias que deixam saudade e, ao mesmo tempo, despertam curiosidade sobre o que poderia vir a seguir — embora eu espere que não façam uma continuação, pois seria difícil superar uma narrativa tão bem finalizada. Mesmo em um formato enxuto, a série prova que é possível criar uma maratona deliciosa de acompanhar.

Confira o trailer:

🍿 Série: A Namorada Ideal (The Girlfriend)
📺 Onde assistir: Prime Video
Nota: ✱ ✱ ✱ ✱ (8.5/10) Ótima
Criada por: Gabbie Asher, Naomi Sheldon
2025 ‧ Thriller/Suspense ‧ 6 episódios

Os comentários estão encerrados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑